segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Maria, a maior educadora da história

Educar é a tarefa intelectual mais fascinante e, ao mesmo tempo, a que mais revela nossa impotência. 

Se educar uma criança ou adolescente é uma incumbência dificílima, imagine educar a criança mais instigante que pisou nesta terra, o menino Jesus?

Que educador daria conta dessa missão? Desde pequeno ele era especialista em perguntar. Questionava, indagava, queria saber tudo. Quem estaria intelectualmente preparado para educar aquele que se tornaria o Mestre dos mestres? Que pais? Que universidade? Que teólogos? É tão fácil errar nessa área. 

É tão fácil transmitir nossos traumas, inseguranças, medos, manias para nossos filhos e alunos. Havia milhares de candidatos. Mas uma jovem destacou-se diante do olhar clínico apuradíssimo do Autor da existência. Seu nome: Maria. Maria é a forma helenizada do nome hebraico Miriã.

Mas é estranho. Maria aparentemente era frágil, muito jovem e inexperiente. O que ela tinha de tão especial do ponto de vista psiquiátrico, psicológico e psicopedagógico? E mais estranho ainda. Antes de iniciar sua arriscadíssima e dificílima missão, ela previamente recebeu a notícia de que se tornaria a mais elogiada mulher da História.

Receber o troféu antes de iniciar a corrida não contaminaria de orgulho o esportista? Não o distrairia da sua meta e frustraria sua jornada? Por que foi depositada nela tanta confiança? Sob o olhar da ciência é possível vislumbrar que muitas coisas no relacionamento de Maria com o Deus Altíssimo e com o menino Jesus romperam o cárcere da rotina. Foi inusitado.

Uma adolescente foi escolhida. Não era rica, não pertencia a uma linhagem de alta classe e ainda por cima morava numa região socialmente desprezada, a Galileia. 

Muitos cristãos não sabem que Maria é a única mulher exaltada no Alcorão, o texto sagrado do islamismo. Inúmeras pessoas exaltam Maria diariamente, mas não percebem que as áreas mais íntimas da sua personalidade permanecem desconhecidas. Raramente alguém saiu da esfera religiosa e procurou investigar seu intelecto.

Maria foi escolhida por elementos intelectuais ou espirituais? Muitos valorizam os aspectos espirituais, mas sem suas características intelectuais seria preterida.

Se fosse uma mulher frágil, assaltada pelo medo e pelo estresse, teria condições de educar o filho de Deus, cuja história foi pautada por frustrações e rejeições? Se fosse insegura e superprotetora, não teria ela afetado o território da emoção do menino? Se amasse o exibicionismo e não a discrição, seu processo educacional não seria um desastre?

É presumível que sob os olhos da pesquisa ela seja mais complexa, sábia, serena, intrigante e interessante do que muitos católicos, protestantes, bem como islamitas, jamais imaginaram.

Riscos e mais riscos era a palavra de ordem na biografia de Jesus. Se Maria tivesse medo dos eventos da vida, não estaria apta para educar o menino Jesus. Se ela, como muitos pais, fosse escrava do medo do futuro, seria despreparada para educar o homem que mais correria riscos na História.

Jesus não poderia ser educado por uma mãe que temesse a vida. Ele cresceu destemido, sem receio de dissecar a alma humana, expor suas hipocrisias, denunciar a maquiagem que cobria o moralismo religioso, um moralismo que não sabia perdoar, que excluía as pessoas, que parecia "sepulcros caiados", belos por fora, mas insensíveis e inumanos por dentro.

Alguns educadores são controlados pelo medo de falhar, preferem a omissão à ação. Maria preferia a ação. Bons educadores evitam surpresas, a jovem mãe do menino Jesus viveu uma vida pautada por fatos imprevisíveis. 

Maria tinha de ser muito mais que uma educadora sensata. Não sabia quais seriam os percalços do caminho, mas estava disposta a ir em frente. Educar é caminhar sem ter a certeza de onde se vai chegar.

Educadores que querem controlar tudo na educação dos seus filhos e alunos e até de seus colegas de trabalho, que têm temor de falhar, acabam transmitindo o que mais detestam: a insegurança e o medo. Muitos riscos rondam a educação dos jovens. 

Riscos de desenvolverem transtornos psíquicos, de usarem drogas, de não terem empregos satisfatórios, de serem infelizes em seus casamentos e muitos outros. O que fazer quando algo der errado com os jovens? Enfiar a cabeça na lama da culpa? Sucumbir no vale do desespero? Não! A culpa excessiva esmaga a lucidez e o desespero esfacela o prazer de viver. 

Devemos dar o melhor de nós na educação, mas devemos estar convictos de que não fabricamos a personalidade dos nossos filhos e alunos, apenas a influenciamos. Quem não quer correr riscos está inapto para educar.

Maria talvez quisesse controlar todos os fenômenos ao seu redor, mas sabia das suas limitações e da complexidade da existência. Sabia que não tinha controle sobre os fatos e as circunstâncias. Quem tem medo da vida nunca a desfrutará plenamente, muito menos extrairá suas riquezas. 

O medo é um ladrão da psique humana. Um dos maiores riscos que um ser humano corre é viver superficialmente sem se conhecer, sem entender o ladrão que sutilmente habita o secreto do seu ser, espreitando um momento para furtar os melhores dias de sua vida.

Desde que recebeu o convite para conceber o menino Jesus, o mundo da jovem Maria virou do avesso. Ela estava só. A não ser seu futuro marido, ninguém poderia oferecer-lhe o ombro para chorar. 

Tinha de usar suas lágrimas para irrigar a serenidade e se conhecer para não entrar em desespero. Tanto na sua biografia como principalmente na do seu filho foram gravadas em letras maiúsculas estas palavras: RISCOS E FATOS IMPREVISÍVEIS.


Créditos: Livro “Maria, a maior educadora da história” – Augusto Cury 

2 comentários:

  1. Maravilhoso, texto, amiga...estou muito longe desta perfeição...bjo

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  2. Adorei, esse texto pois elê transmite realmente, tudo que eu tenho raciocinado a respeito das mulheres que tem o nome de MARIA, pois todas as que eu conheço, são realmente mulheres muito valentes, cheias de fibra, e de um carater, inabalavel, elas podem ser doseis, meigas e ate parecerem, que não estam nem ai para as coisas, materiais, mas para com a sua familia, são pessoas muito exigentes, principalmente com os seus filhos, estão sempre atentas, para que nada de errado, e sejam pessoas do bem, a educação e a sua filosofia!!! minha mãe era MARIA!!!!!
    Eva Da Silva Couto

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A bondade em palavras cria confiança; a bondade em pensamento cria profundidade; a bondade em dádiva cria amor. Provérbio chinês

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