quinta-feira, 28 de abril de 2016

Bela, recatada e do lar: uma questão de escolha

Por Tina Muniz
Eu, Tina Muniz, sou “Bela, Recatada e do Lar”.
Mas o que é ser bela?
O que é ser recatada?
O que é ser do lar?
Sou bela, porque assim decidi me apreciar.
Sou recatada dentro daquilo que eu acho que devo me comportar.
Sou do lar, porque eu tenho um lugar que é meu refúgio e quando volto para casa depois de muitas horas de trabalho, ali encontro o acolhimento e a paz para o combustível de um novo dia.
Todas nós somos belas, deixando de lado este padrão de beleza que tanto desvalorizou a condição da mulher.
Quem é que pode dizer o que é ser recatado hoje, com tantos padrões a seguir? E do lar?
Toda mulher é do lar, até mesmo as que trabalham fora em torno de 15 horas por dia, como eu. É do lar as mulheres que fazem triplas jornadas com trabalho, casa e filhos, com maridos ou sem maridos.
Este lar também é uma conquista dessas mulheres que tiveram que sair para as indústrias e sustentar seus filhos e a economia do país enquanto os homens estavam na guerra. Foram guerreiras ao enfrentarem as propagandas maciças do governo classificando-as como a rainha do lar, simplesmente para as colocarem de novo na condição subserviente do estado patriarcal.
A conquista da mulher deve ser sempre pelo poder de escolha, não pelo seguimento de padrões ditados pela ideologia do que tem que ser o feminino.
O que se chama de liberdade sem valorização da escolha, pode enclausurar em padrões mais devastadores do que se imagina. Hoje, muitas mulheres se sentem ameaçadas e cobradas o tempo todo quando escolhem ficar em casa e cuidar dos filhos. É um direito conquistado, mas emocionalmente ameaçado.
Se ela não tiver uma profissão, não é ninguém, já que o rótulo “Do Lar” é visto por muitos como um retrocesso e a diminui como pessoa, causando muitas vezes autoestima baixa e muitos transtornos psicoemocionais.
A nossa Ágora, as redes sociais, nos possibilita de entrarmos em contato e fazermos rupturas culturais pela agilidade da informação, mas se apedrejarmos a escolha do outro sem refletirmos sobre as nossas próprias escolhas, atrasaremos o processo evolutivo da nossa cultura.
A mulher escolhe o que dá conta de ser melhor para ela, independente da opinião alheia. Quando ela é empoderada por seu direito de escolha, ela se agiganta em seus enfrentamentos.
Se ela escolher ficar em casa em prol dos filhos e do marido e for apedrejada por isso, está tão presa quanto aquela que vive enclausurada contra a sua vontade e sonha com uma vida diferente, mas ainda não teve forças para mudar o seu padrão.
A pessoa se vê angustiada e presa na sua falta de liberdade e escolhas e não na escolha realizada, pois se uma escolha é feita, experienciada e puder ser livre para trocar por uma outra escolha, isso é aprendizado existencial.
Simone de Beauvoir, feminista convicta e existencialista, amou Sartre de uma forma de fazer inveja a mais romântica das mulheres. Simone cuidava e lia para ele, quando seus olhos já não mais podiam ver. Simone proporcionava a Sartre o que era mais importante para ele e isso, não atrapalhava a sua luta em favor dos direitos das mulheres.
Simone de Beauvoir foi livre dentro de suas escolhas, inclusive da escolha de cuidar do jeito que bem entendesse do seu homem, quem sabe até lavando as suas cuecas. Por que não?
A mudança sempre é feita com a liberdade de escolha e lembraremos também que:
O poder da mulher está nas escolhas dela e não na ideologia (mentira com cara de verdade) criada para o feminino.
Texto adaptado
Tina Muniz, Psicoterapeuta Holística, graduada em Psicologia, especialista em relacionamentos afetivos.

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A coisa mais difícil de ver é precisamente o que está diante dos seus olhos. Goethe

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