quinta-feira, 21 de julho de 2016

Mágoa

Quantas vezes imaginamos a mágoa como aquilo que temos direito de ter e de levar para sempre? Isso nos deixa um pouco amargos. Mágoa em relação a alguém que nos ofendeu e isso gerou raiva. O memoralista e médico Pedro Nava, no livro Baú de ossos, diz: “Eu não tenho ódio, eu tenho memória”. Isto é, eu não estou odiando, mas algumas coisas não consigo esquecer. Algumas coisas eu não quero esquecer, algumas coisas não devem ser esquecidas: a ofensa que encontrou terreno para a humilhação, a capacidade de machucar alguém com violência física ou simbólica, um massacre produzido sobre uma comunidade. Não é para se ter ódio, mas é para se ter memória, que serve também para que não sejamos capazes de repetir ou de admitir que se repita aquilo que conosco fizeram.

Mario Sergio Cortella, autor de “Pensar bem nos faz bem”! – Ed. Vozes

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Nada de desgosto, nem de desânimo; se acabas de fracassar, recomeça. Marco Aurélio

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