segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Detox está muito além do suco verde

Fernanda Aranda, Editora chefe –Jolivi

A palavra “Detox” deveria ter significados diferentes para cada uma das pessoas, mas hoje a tradução simultânea deste conjunto de letras é: suco verde.
Ao navegar na internet, o objetivo das pessoas é encontrar combinações que promovam uma limpeza no organismo, mas o que elas encontram são receitas que, em suma, sugerem consumir ‘saladas’ em forma de milk-shakes. 

Meu palpite é que os elaboradores destas “alquimias naturebas” se aproveitam de um fato estatístico: 75,9% dos brasileiros não consomem a quantidade diária ideal de frutas e hortaliças. São os dados nacionais do programa de vigilância e monitoramento do Ministério da Saúde.

Então, pensa comigo. É muito mais fácil sugerir, para quem nem imagina como é um chuchu ou um alho-poro in natura, que a mistura entre estes ingredientes com 500 ml de água rende uma faxina milagrosa no corpo. 
Dr. Roberto Franco do Amaral Neto, nosso médico consultor e estudioso da nutrologia, não tem nenhuma antipatia ao suco verde. Mas frequentemente questiona a efetividade do seu uso exclusivo como uma espécie de operador de milagres.

“Será mesmo possível desintoxicar um organismo consumindo estes sucos e permanecer com hábitos nocivos do tipo tomar refrigerante diariamente? ” - questiona ele.
Qual é o ponto trazido por Dr. Roberto: se você chegou até aqui com a sensação de que vive em um corpo intoxicado, é preciso rever o conjunto de fatores que te faz viver assim.


Dr. Roberto vai além: muitas pessoas podem viver em situação de intoxicação alimentar sem se dar conta de que sintomas como enxaquecas, dores em geral, cansaço e irritabilidade podem ser – justamente - as sequelas crônicas de um organismo intoxicado.
E, nestes casos, o suco verde pode até ser um bom ponto de partida. Mas sozinho não vai promover o verdadeiro Detox.

O que fazer?
A fama dos sucos verdes no conceito Detox não é aleatória, e tem seu fundamento.
Provavelmente o guia para chegar às receitas foi o plano de alimentação Detox (Detox Food Plan) elaborado pelo conceituado Institute for Functional Medicine, que é o Instituto de Medicina Funcional dos EUA.
A alimentação, explica Dr. Roberto, é uma das formas mais eficientes de ajudar no processo de desintoxicação. E um dos motivos é a função anti-inflamatória desempenhada por alguns nutrientes.


Além disso, a combinação em equilíbrio das vitaminas e minerais promove a ampliação do desempenho dos órgãos. Em alguns casos muito mais do que isso. Garantem o bom funcionamento de todo o sistema corporal. 
O cérebro é afetado diretamente por este padrão alimentar protetor.

As pesquisas científicas já endossam que as vitaminas do Complexo B e os nutrientes antiinflamatórios como as gorduras poli insaturadas Ômega 3 são protetores da memória, da concentração e da capacidade de raciocínio, além de terapêuticas para as intoxicações.

E a fama do suco verde nisso tudo?
Então... Em geral, a maior parte dos legumes e hortaliças esverdeados – espinafre, brócolis, couve de Bruxelas e couve – são desintoxicantes, ricos em vitamina B 12 e ácido fólico, e têm efeitos protetores já descritos em importantes publicações científicas como o Journal of Pain.

Além do suco

Mas o guia para desintoxicar o corpo elaborado pelo Instituto de Medicina Funcional vai muito além dos verdes da família B. Para o Detox Food Plan, a dica prática é dividir o processo de desintoxicação em 02 etapas.
A 1ª, em curto prazo, propõe a remoção total dos produtos alimentícios que disparam os gatilhos da intoxicação.
A 2ª, fase é a introdução permanente de nutrientes e comidas que ajudam o corpo a permanecer desintoxicado.
Além das frutas e hortaliça, o guia sugere o consumo das chamadas proteínas de alta qualidade (ovo, soja, carnes magras, aves, frutos do mar e nozes são exemplos), como um dos pilares da desintoxicação.
Também há o incentivo do consumo prioritário dos produtos orgânicos, para diminuir a ingestão de pesticidas.

Dicas de ouro
Ok. Eu falei em alimentos orgânicos. Pronto. Você nem terminou a frase e já está com o pensamento de que “é impossível”.
Sei das dificuldades agregadas pelo preço e pela própria oferta da alimentação genuinamente orgânica, mas Dr. Roberto me deu dicas que podem fazer toda a diferença.

Dica 1: para cumprir o verdadeiro Detox, faça as compras alimentares regidos pelo ‘princípio da fazenda’.
“A orientação é adquirir produtos, mesmo nas prateleiras dos supermercados, que estariam disponíveis caso você morasse em uma fazenda. Isso é a base da comida de verdade”, afirma Dr. Roberto. “Caso opte por alimentos em caixas ou latas, leia os rótulos. Se contiverem substâncias conseguidas apenas via laboratório, ou ainda, caso os nomes indiquem produtos que você nem imagina o que são, descarte esta opção."

Dica 2: Se por um lado os alimentos ‘verdes naturais’ são famosos por serem amigos do Detox, por outro, os inimigos também já são conhecidos.

“Cada pessoa pode reagir de formas diferentes com os alimentos. O que pode ser tóxico para mim, pode não ser para você. Mas, em geral, açúcar, aspartame, sucralose, frutose industrializada, glúten, caseína, lactose  e conservantes são intoxicantes  para a muita gente ”, orienta Dr. Roberto.

Quando dizemos intoxicantes, estamos querendo dizer que aquele nutriente pode alterar a flora intestinal e causar um processo inflamatório no intestino, facilitando a passagem de “auto anticorpos” para a circulação sanguínea.

“Este processo é chamado de alteração da permeabilidade intestinal. Ao longo do tempo, os “auto anticorpos” podem desencadear, desde sintomas como enxaqueca e outras dores crônicas, até doenças auto imunes como por exemplo tireoidite de Haschimoto – um tipo de hipotireoidismo bem comum nos dias de hoje”, completa o nosso consultor. 
Uma lista com 08 nutrientes e comidas que ajudam na manutenção da desintoxicação.

Todos sugeridos pelo Instituto de Medicina Funcional como extremamente importantes na “hora da faxina”. 1) Vitamina B2: soja, espinafre, cogumelos, ovos, aspargos, amêndoas.

2) Niacina (vitamina B3): atum, frango, peru, salmão, cordeiro, carne, sardinha, arroz integral.

3) Piridoxina (vitamina B6): batata-doce, sementes de girassol, banana.

4) Ácido fólico: Lentilhas, feijão, grão de bico, feijão preto, feijão branco, nabo, brócolis.

5) A vitamina B12: sardinha, atum, bacalhau, carne de cordeiro.

6) Glutationa: abacate, alho, frutas cítricas.

7) Flavonoides: maçãs, damascos, peras, framboesas, morangos, feijão preto, repolho, cebola, salsa, feijão, tomates.

8) Zinco: carne bovina, cordeiro, sementes de gergelim, sementes de abóbora, lentilhas, grão de bico, castanhas de caju, quinoa.

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A coisa mais difícil de ver é precisamente o que está diante dos seus olhos. Goethe

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