quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Cada um de nós é uma centelha divina, uma alma, que habita num corpo físico

Por Joaquim Caeiro

Vejo a vida como um ato, parte de um grande processo evolutivo a que podemos chamar teatro, em que cada vivência, experiência ou situação é apenas o cenário ideal para dar lugar ao que se pretende a evolução da Alma. 

Se encararmos a vida dessa forma, percebemos a necessidade de ligações entre - vidas, e a forma como todo o processo assume uma continuidade sábia. 

Cada um de nós é uma centelha divina, uma alma, que habita num corpo físico. Talvez no momento em que nos deixamos de ligar a Terra e ao Coração, dividimo-nos. 

Ao observar relacionamentos e a minha própria experiência de vida chego à conclusão que o grande grupo de centelhas, ou almas que se aproximam, em tempos, fizeram parte de uma só. 

Por todo o processo evolutivo, pela missão individual e conjunta, andamos milhares de anos em reconstrução. 

Num determinado momento, após atingirmos a consciência do que somos, apercebemo-nos da forma como todos aqueles que um dia fizeram parte de nós — ou nós parte deles —, se aproximam e se ligam. Da mesma forma que uma peça de teatro precisa do ato anterior para dar seguimento à história, assim é a vida. 

Ligados por um fio condutor sábio e cósmico, antes de regressarmos à Terra, somos orientados pelo nosso guardião interno, ou guia e convidados a observar tudo o que foi a nossa vida. 

De uma forma completamente desapegada, temos consciência do que fizemos, e como simples observadores, criamos a capacidade de identificar o que devemos voltar a trabalhar. 

Escolhemos a família e todas as condições para essa tarefa e no momento em que damos início ao regresso à Terra e ao físico, esquecemos, pois tudo foi processado a nível do subconsciente. 


A esse nível — subconsciente — encontra-se todo o mecanismo que nos
permite aceder a memórias e a registros essenciais para darmos continuidade a todo o processo evolutivo na Terra. 

Mecanismo que permite estabelecer ligações, relacionar e criar aquilo a que chamamos de aprendizagem. Ao conjunto dos registros e ligações, parte de todo esse mecanismo, chamamos karma. 

Porque acontecem, na maior parte das vezes, as piores coisas às pessoas ‘boas’ e as melhores coisas às pessoas ‘más’?

Somos seres perfeitos na essência, e imperfeitos pela nossa própria designação referente à evolução. Não existem pessoas más ou pessoas boas, existem pessoas apenas! 

Habituados a uma sociedade ligada ao fado, ao sofrimento e à religião, crescemos com a ideia de que existem os bons e os maus. 

Como foi referido anteriormente, tudo não passa de uma forma que arranjamos para explicar e diferenciar comportamentos, através da palavra, e que, como em todas as áreas da vida, mais uma vez nos esquecemos disso, focalizando apenas a palavra, sem perceber o seu conteúdo ou essência de base, ou melhor, o momento antes da própria palavra! 


Mas, vamos abrir o coração e a mente e permitir-nos uma abordagem ligeiramente diferente: se pensarmos que os bons são aqueles que sofrem pelos outros, que se dedicam aos outros, que esgotam os seus recursos e acabam na miséria ou situações degradantes, em nome de Deus, de uma fé, ou de conceitos ligados ao que é correto, e os maus são aqueles que apenas pensam neles mesmos, avançam, sobem na vida, fazem de tudo para alcançar todos os seus objetivos, então estamos enganados em relação ao conceito do karma e à forma como a sua atuação os atinge.


Colhemos o que semeamos, e se semeamos falta de amor- -próprio, falta de auto- estima, falta de focalização no EU, então, só podemos colher isso mesmo. 

Sem nos apercebermos, ao proceder dessa forma, apenas estamos negando a essência e o poder interno que existe em nós. 

Aqueles que percebem e descobrem aquilo a que se chama segredo que no fundo corresponde à paz desenvolvem capacidades para atrair tudo o que sonham. 

Mas, na verdade, o grande segredo da vida é que todo esse mecanismo já existe e está em funcionamento presente em cada ser, independentemente da sua consciência e da sua direção. 

Só precisamos aprender a geri-lo e a transformá-lo, se necessário, na consciência da responsabilidade e do compromisso com o EU. 

O caminho é tornar-se o seu verdadeiro aprendiz e conseguir manter a paz e a fluidez natural da vida em cada momento.

Créditos: Joaquim Caeiro -  Life coach, professor de meditação, psicoterapeuta da alma, retiros, terapias, treinador do corpo e da alma, escritor / Revista Zen

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