quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Asas partidas

Como um Romeu e Julieta do Oriente Médio, este texto de Kahlil Gibran expressa com maestria a sublime beleza do primeiro amor e a infinita dor da renuncia. 

De evidente caráter autobiográfico, nele o protagonista Gibran tem seu jovem espírito despertado pela primeira vez para a ternura e o afeto, em conflito com a dúvida e o sofrimento de perda.

O amor é a única liberdade do mundo, porque eleva tanto o espírito que as leis da humanidade e o fenômeno da natureza não podem alterar seu curso...

Aquelas palavras eram uma canção celestial, que começou com exaltação e terminaria em tristeza...
Elas elevaram nossos espíritos ao reino da luz e do calor mais ardente...
Elas foram a taça onde haurimos felicidade e amargura...
Olhaste para mim...
E seus olhos revelaram-me o segredo de seu coração...
A escuridão pode esconder as árvores e as flores de nossos olhos, mas não poderá esconder o amor de nossos corações...

Toda a beleza e a grandeza deste mundo podem ser criadas por um simples pensamento ou emoção interior do homem...

Aquela palavra... Acordou-me da sonolência da juventude e da solidão, e colocou-me no palco, onde a vida e a morte representam seus papéis...
Tudo o que o homem faz secretamente, na escuridão da noite, será claramente revelado à luz do dia...
Palavras murmuradas em confidência, tornar-se-ão inesperadamente conversação generalizada...
Atos que escondemos hoje nos recônditos de nossos lares, serão proclamados amanhã por todas as ruas...

O dinheiro todo-poderoso que o povo adora torna-se um demônio que pune o espírito e insensibiliza o coração...

Um pássaro de asas partidas não pode voar no céu espaçoso...
Muitas vezes tenho feito uma comparação, entre a nobreza do sacrifício e a felicidade da rebeldia, para saber qual é mais louvável e mais bela, mas até agora somente extraí uma verdade de todo esse assunto:
E esta é a verdade...
A sinceridade...
Que torna todas as ações belas e honradas!

Gibran Khalil Gibran, foi um ensaísta, filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor estadunidense de origem libanesa.

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A bondade em palavras cria confiança; a bondade em pensamento cria profundidade; a bondade em dádiva cria amor. Provérbio chinês

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