quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Espiritualidade nota dez

Vamos, venhamos e convenhamos, não há ser humano capaz de espiritualidade nota dez em nenhuma religião do mundo.

Nem mesmo os que oram oito horas por dia atingem esse grau de espiritualidade, porque espiritualidade não consiste em apenas orar muito. 

As muitas dimensões da espiritualidade estão descritas por Paulo na sua Carta aos Efésios, capítulo 3, quando ele diz aos seus discípulos de Éfeso que gostaria de vê-los crescer nas dimensões do grande ungido, o Cristo. Deveriam alargar o seu interior, ampliar-se e expandir-se para conhecer melhor a altura, a profundidade, o comprimento e a largura do mistério da fé cristã. 

Depois disso passariam a compreender o que conheceram. É assim a espiritualidade: é abrangência. Fechar-se num grupismo estilo redoma que não se abre para os outros e nada tem a aprender com outros iluminados é tudo, menos espiritualidade sadia.

A pessoa mergulha na vida espiritual não corta os laços com o mundo e com outros crentes; não despreza a matéria, mas não se prende a ela; nem sempre se supera, mas não se desespera. Ela tem graça suficiente para sair do seu limite (1Co 12,9).

A pessoa rica de espiritualidade não finge santidade, nem amacia a voz, nem entorta a cabeça para parecer meiga e santa. 

Foge do estereótipo e da caricatura. Não se minimiza, mas não se supervaloriza.
Para o crente que mergulhou na contemplação de Deus e de sua obra, o que é, é! Tudo é encarado como realidade. Mas ele crê que há realidades superiores àquilo que se vê e se toca. A pessoa que atingiu um adequado grau de espiritualidade digamos que na escala de valores de um a dez, tivesse chegado a cinco - é pessoa desprendida, madura, serena, forte. 

A pessoa nota zero ou nota dois em espiritualidade, agarra-se ao material, a muito dinheiro, ao efêmero que compensa e dele faz sua finalidade principal. 

Prisioneira do prazer, mais vítima do que canalizador de Eros, prisioneira da gratificação e incapaz de gratuidade, prisioneira da droga ou do sexo, prisioneira do dinheiro, do sucesso, da fama, do ter, pessoa sem espiritualidade, na hora de escolher, escolhe-se. De vez em quando, admite-se, escolher-se sempre é catastrófico.

Pessoa rica de espiritualidade não busca mais valia nem pensa nas próprias vantagens; vive mais para os outros do que para si; é cheia de alteridade, caráter. 

Se alguém tiver que ser sacrificado ou sofrer, sofrem elas; se preciso, colocam-se por último e jamais se imaginam número um. Santidade talvez seja isso.


Créditos: Pr. Zezinho – Revista São Judas Tadeu

Um comentário:

  1. Lindo, emocionante texto, nos faz meditar, sobre o nosso comportamento, no dia-a-dia e no trato com as pessoas e com as coisas do espírito!

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